segunda-feira, janeiro 03, 2011

«Ozymandias»

Encontrei um viajante de uma terra antiga,
Que disse - «Duas vastas pernas de pedra sem tronco
Erguem-se no deserto… Perto delas, na areia,
Meio enterrado jaz um rosto despedaçado, cuja carranca
E lábio franzido e esgar de fria autoridade
Dizem que o seu escultor leu bem essas paixões
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas inertes,
A mão que delas troçou e o coração que as alimentou;
E no pedestal, estas palavras surgem:
O meu nome é Ozymandias, Rei dos Reis,
Olhai as minhas Obras, ó Poderosos, e desesperai!
Nada resta à volta. Em torno da decadência
Daquele colossal Destroço, ilimitado e nu,
As solitárias e lisas areias estendem-se infinitas.»


Percy Bysshe Shelley , «Ozymandias», 1818

quinta-feira, setembro 03, 2009

QUEM SE METE COM O PS...: Leva!

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domingo, agosto 23, 2009

MANDATÁRIA DA JUVENTUDE DO PS: "Prefiro fazer batota a perder" e "não gosto de tirar caroços, é a minha criada que tira os caroços da fruta" são algumas das pérolas com que nos brinda Carolina Patrocínio, Mandatária da Juventude do PS.
Esta, sem dúvida, espelha bem a mentalidade chique e "moderna" do PS socrático.
Só é pena que a esmagadora maioria dos jovens do nosso país não tenham criados para tirar caroços da fruta. Mas quem sabe, poderá ser uma das medidas do programa eleitoral do PS. Ou então, uma nova incumbência para os professores...

quarta-feira, agosto 19, 2009

SÓ NESTE PAÍS...: Polícias agredidos pagam custas judiciais

Dois agentes da PSP vítimas de agressão em 2004 na Amadora foram notificados pelo tribunal para pagarem as custas do processo judicial que ditou a condenação dos agressores, depois de estes terem entregue um atestado de pobreza.

Correio da Manhã - 2009/08/19

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domingo, junho 14, 2009

DISCURSOS: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Senhoras e Senhores,

Dia de Portugal… É dia de congratulação. Pode ser dia de lustro e lugares comuns. Mas também pode ser dia de simplicidade plebeia e de lucidez.

Várias vezes este dia mudou de nome. Já foi de Camões, por onde começou. Já foi de Portugal, da Raça ou das Comunidades. Agora, é de Portugal, de Camões e das Comunidades. Com ou sem tolerância, com ou sem intenção política específica, é sempre o mesmo que se festeja: os Portugueses. Onde quer que vivam.

Há mais de cem anos que se celebra Camões e Portugal. Com tonalidades diferentes, com ideias diversas de acordo com o espírito do tempo. O que se comemora é sempre o país e o seu povo. Por isso o Dia de Portugal é também sempre objecto de críticas. Iguais, no essencial, às expressas por Eça de Queirós, aquando do primeiro dia de Camões. Ele afirmava que os portugueses, mais do que colchas às varandas, precisavam de cultura.

Estranho dia este! Já foi uma “manobra republicana”, como lhe chamou Jorge de Sena. Já foi “exaltação da raça”, como o designaram no passado. Já foi de Camões, utilizado para louvar imperialismos que não eram os dele. Já foi das Comunidades, para seduzir os nossos emigrantes, cujas remessas nos faziam falta. E apenas de Portugal.

Os Estados gostam de comemorar e de se comemorar. Nem sempre sabem associar os povos a tal gesto. Por vezes, quando o fazem, é de modo desajeitado. “As festas decretadas, impostas por lei, nunca se tornam populares”, disse também Eça de Queirós. Tinha razão. Mas devo dizer que temos a felicidade única de aliar a festa nacional a Camões. Um poeta, em vez de uma data bélica. Um poeta que nos deu a voz. Que é a nossa voz. Ou, como disse Eduardo Lourenço, um povo que se julga Camões. Que é Camões. Verdade é que os povos também prezam a comemoração, se nela não virem armadilha ou manipulação.

Comemora-se para criar ou reforçar a unidade. Para afirmar a continuidade. Para reinterpretar o passado. Para utilizar a História a favor do presente. Para invocar um herói que nos dê coesão. Para renovar a legitimidade histórica. São, podem ser, objectivos decentes. Se soubermos resistir à tentação de nos apropriarmos do passado e dos heróis, a fim de desculpar as deficiências contemporâneas.

Não é possível passar este dia sem olharmos para nós. Mas podemos fazê-lo com consciência. E simplicidade.

Garantimos com altivez que Camões é o grande escritor da língua portuguesa e um dos maiores poetas do mundo, mas talvez fosse preferível estudá-lo, dá-lo a conhecer e garantir a sua perenidade.

Afirmamos, com brio, que os portugueses navegadores descobriram os caminhos do mundo nos séculos XV e XVI e que os portugueses emigrantes os percorreram desde então. Mais vale afirmá-lo com o sentido do dever de contribuir para a solidez desta comunidade.

Dizemos, com orgulho, que o Português é uma das seis grandes línguas do mundo. Mas deveríamos talvez dizê-lo com a responsabilidade que tal facto nos confere.

Quando se escolhe um português que nos representa, que nos resume, escolhe-se um herói. Ele é Camões. Podemos festejá-lo com narcisismo. Mas também com a decência de quem nele procura o melhor.

Os nossos maiores heróis, com Camões à cabeça, ilustraram-se pela liberdade e pelo espírito insubmisso. Pela aventura e pelo esforço empreendedor. Pela sua humanidade e, algumas vezes, pela tolerância. Infelizmente, foram tantas vezes utilizados com o exacto sentido oposto: obedientes ou símbolos de uma superioridade obscena.

Ainda hoje soubemos prestar homenagem a Salgueiro Maia. Nele, festejámos a liberdade, mas também aquele homem. Que esta homenagem não se substitua, ritualmente, ao nosso dever de cuidar da democracia.

As comemorações nacionais têm a frequente tentação de sublinhar ou inventar o excepcional. O carácter único de um povo. A sua glória. Mas todos sentimos, hoje, os limites dessa receita nacionalista. Na verdade, comemorar Portugal e festejar os Portugueses pode ser acto de lucidez e consciência. No nosso passado, personificado em Camões, o que mais impressiona é a desproporção entre o povo e os feitos, entre a dimensão e a obra. Assim como esta extraordinária capacidade de resistir, base da “persistência da nacionalidade”, como disse Orlando Ribeiro. Mas que isso não apague ou esbata o resto. Festejar Camões não é partilhar o sentido épico que ele soube dar à sua obra maior, mas é perceber o homem, a sua liberdade e a sua criatividade. Como também é perceber o que fizemos de bem e o que fizemos de mal. Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras.

Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia absurda do país excepcional, único, a fim de nos transformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo.

Há mais de trinta anos, neste dia, Jorge de Sena deixou palavras que ecoam. Trouxe-nos um Camões humano, sabedor, contraditório, irreverente, subversivo mesmo.

Desde então, muito mudou. O regime democrático consolidou-se. Recheado de defeitos, é certo.

Ainda a viver com muita crispação, com certeza. Mas com regras de vida em liberdade.

Evoluiu a situação das mulheres, a sua presença na sociedade. Invisíveis durante tanto tempo, submissas ainda há pouco, as mulheres já fizeram um país diferente.

Mudou até a constituição do povo. A sociedade plural em que vivemos hoje, com vários deuses e credos, com dois sexos iguais, com diversas línguas e muitos costumes, com os partidos e as associações que se queira, seria irreconhecível aos nossos próximos antepassados.

A sociedade e o país abriram-se ao mundo. No emprego, no comércio, no estudo, nas viagens, nas relações individuais e até no casamento, a sociedade aberta é uma novidade recente.

A pertença à União Europeia, timidamente desejada há três décadas, nem sequer por todos, é um facto consumado.

A estes trinta anos pertence também o Estado de protecção social, com especial relevo para o Serviço Nacional de Saúde, a segurança social universal e a escolarização da população jovem. É certamente uma das realizações maiores.

Estas transformações são motivo de regozijo. Mas este não deve iludir o que ainda precisa de mudança. O que não foi possível fazer progredir. E a mudança que correu mal.

A Sociedade e o Estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. 0 favor ainda vence vezes de mais o mérito. O endividamento de todos, país, Estado, empresas e famílias é excessivo e hipoteca a próxima geração. A nossa pertença à União Europeia não é claramente discutida e não provoca um pensamento sério sobre o nosso futuro como nacionalidade independente.

Há poucos dias, a eleição europeia confirmou situações e diagnósticos conhecidos. A elevadíssima abstenção mostrou uma vez mais a permanente crise de legitimidade e de representatividade das instituições europeias. A cidadania europeia é uma noção vaga e incerta. É um conceito inventado por políticos e juristas, não é uma realidade vivida e percebida pelos povos. É um pretexto de Estado, não um sentimento dos povos. A pertença à Europa é, para os cidadãos, uma metafísica sem tradição cultural, espiritual ou política. Os Estados e os povos europeus deveriam pensar de novo, uma, duas, três vezes, antes de prosseguir caminhos sem saída ou falsos percursos que terminam mal. E nós fazemos parte desse número de Estados e povos que têm a obrigação de pensar melhor o seu futuro, o futuro dos Portugueses que vêm a seguir.

É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro.

Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.

Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais.

Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.

Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.

Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.

Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.

Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo “ethos” deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.

Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.

Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país.

(António Barreto)

sexta-feira, março 20, 2009

«A manifestação é contra si»?


Diz a vozinha doce que escreveu "O menino d’Oiro"...

domingo, março 01, 2009

PROMESSAS:


Faz promessas, fazê-las não te custa!
Com promessas enriquece muita gente.
Faz promessas, a esperança é duradoura,
desde que um grão de fé se lhe acrescente!
És, Esperança, uma deusa enganadora,
mas os enganos teces utilmente.


Ovídio, Arte de Amar. Séc. I d. C.

sábado, fevereiro 28, 2009

O CANDIDATO: Está explicado o 'lambe-botismo' de Vital Moreira!

quarta-feira, novembro 19, 2008

O SILÊNCIO DE PACHECO PEREIRA: O nosso caro amigo Pacheco Pereira, perante o desastre que assola o país, nada diz.

Sobre a líder do seu partido,  depois de ter movido montanhas para a colocar na liderança, já não tem palavras para a defender.

Sobre o governo e a educação, a corar de vergonha por algum dia se ter entusiasmado com a ministra, também não se pronuncia.

Pobre Pacheco Pereira, para quem quer ser o Alegre da Direita, estamos conversados!

sábado, abril 19, 2008

ISCTE connection: A revelação, no Expresso, que o entendimento na Educação, entre a plataforma sindical e o ME, foi conseguido por Carvalho da Silva e Vieira da Silva, sob os auspícios do primeiro-ministro, vem adensar as suspeitas de que o ISCTE manda no país. Pertencer, ou ter uma qualquer ligação ao ISCTE, parece ser condição essencial, nesta era PS, para se ter um papel decisivo em Portugal.

sábado, março 15, 2008

COMÍCIO: No comício do PS os intervenientes tiveram o cuidado de dizer que este não era uma resposta à manifestação dos professores. Contudo, não falaram de outra coisa…
A ministra da educação foi tratada como ‘special guest star’ e até o Jorge Coelho resolveu dar uma perninha…

sexta-feira, março 07, 2008

SMS: O PS anda tão preocupado com a manifestação dos professores que resolveu entrar na guerra dos comícios e SMS. O desnorte é tanto que já os enviam mesmo a quem nunca pertenceu às suas fileiras...

Vejam só o que recebi:
"Camaradas, neste fim de semana quando se deslocar a sua Seccao, inscreva-se para deslocacao ao Comicio do Porto no proximo 15 de Marco. Importante a mobilizacao"

Mobilizem-se! Certamente a polícia não irá fazer inquéritos às sedes do PS para garantir a segurança dos militantes.

“SEGURANÇA”: Esta semana elementos da polícia visitaram as escolas, “preocupados com a segurança” dos docentes que se irão deslocar à manifestação em Lisboa. Vamos ver se esta preocupação não se estende à GNR e à Brigada de Trânsito no próximo Sábado…

Não estranharia que, num crescendo de “preocupação”, mandassem parar nas estradas as centenas de autocarros que, de todo o país, se irão deslocar a Lisboa. Tudo em nome da garantia de segurança no transporte de docentes, é claro!

quinta-feira, março 06, 2008

DESINFORMAÇÃO: Esta descarada desinformação, no portal do governo, constitui, mais uma vez, um insulto à classe docente. É tudo tão simples, transparente e óbvio que só os 'professorzecos', esses malvados, é que não entendem...

quarta-feira, março 05, 2008

INÉPCIA (2): É anedótica e patética a acção do PSD como partido de oposição. A bicefalia está cada vez mais desencontrada. Menezes, nos raros momentos em que se torna visível, apenas dá tiros no pé. Já Santana, na ânsia de se mostrar respeitável, quase pede desculpa por ser oposição…

A miséria gera miséria!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

INÉPCIA: Sente-se um mal-estar no país, que só este governo e os seus sectários partidários ignoram, num desprezo que certamente lhes sairá caro. Este desdém acontece, em grande parte, pela total inépcia da oposição dos chamados partidos do poder. O debate parlamentar de hoje mais uma vez o provou. Numa tentativa de fugir às insinuações do 1º ministro, de que os partidos de direita andavam a reboque dos sindicatos e dos comunistas, tornaram-se confrangedoras as intervenções do PSD e do CDS, ignorando grosseiramente as atenções e esperanças que muitos legitimamente depositavam neles, falando de assuntos absolutamente marginais à actualidade política. Mais uma vez foram derrotados em toda a linha por José Sócrates, que já nem precisa de se esforçar muito para sair mais emproado com a humilhação dos seus mais directos adversários.

Para uma camada cada vez mais vasta da população as alternativas no espectro partidário actual não são muitas, ou enveredam pelo radicalismo de esquerda ou engrossam as fileiras da abstenção. As recentes sondagens apontam inexoravelmente nesta direcção e isto certamente não será bom para o futuro do país.